segunda-feira, 11 de junho de 2018

Oficiais e praças da Polícia Militar são condecorados com a medalha "O Grande Fogo da Caiçara"


Vários oficiais e praças da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte foram condecorado nesta segunda-feira dia 10 de junho com a honrosa medalha “O GRANDE FOGO DA CAIÇARA” pelos seus importantes e grandiosos serviços prestados a segurança pública do município de Marcelino Vieira e do Estado do Rio Grande do Norte. 

Entre os homenageados estão o Comandante Geral da Polícia Militar, Coronel Osmar, comandante do CPI Coronel Arcanjo, Comandante do CPR II Coronel Romualdo, Comandante do 6º BPM Ten Coronel Walmary Costa, Capelão da Polícia Militar, Major Lopes, Cb Tomé, Cb Eduardo, Cb Alexandre e Cb Erivan Santos, todos pertencentes ao 6º BPM.

A Honrosa Medalha “FOGO DA CAIÇARA”, foi criada no dia 10 de junho de 2007 comemorando solenemente o transcurso dos 80 anos do primeiro confronto travado entre o bando de Lampião e a Polícia em solo potiguar, cujo evento ficou conhecido como “O GRANDE FOGO DA CAIÇARA”, ocorrido no atual Município de Marcelino Vieira. 

Lá padeceu o destemido soldado José Monteiro de Matos, jovem policial que ainda não havia completado nem 40 dias de serviço prestados a sociedade e ficou marcado na memória de seus colegas uma frase de sua autoria logo após serem informados sobre a chegada de Lampião "Morro mas não corro" . O episódio ocorrido no dia 10 de junho de 1927, na então Vila Vitória, atual Município de Marcelino Vieira/RN deu origem a medalha. A solenidade tem como principal objetivo agraciar as principais autoridades com importantes serviços prestados a Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Norte.

Sobre o Fogo d Caiçara


A passagem de Lampião pelo Rio Grande do Norte em 1927, foi um fato que marcou de forma destacada a história do cangaço no Nordeste.
Os cangaceiros adentraram no solo potiguar no dia 10 de junho daquele ano e permaneceram até o dia 14, período em que praticaram toda sorte de desatinos às populações do interior do estado que estavam no seu itinerário. O início da marcha devastadora deu-se no município de Luis Gomes, e estendeu-se por quatro dias até a incursão dos cangaceiros no estado do Ceará, depois da tentativa de saquear a cidade de Mossoró.
Com a incursão do bando de Lampião ao território potiguar, foram tomadas medidas de segurança pelo governo estadual para conter a marcha da horda assassina. De imediato, organizou-se uma força policial comandada pelo tenente Napoleão de Carvalho Agra. O destacamento policial tinha o objetivo de interceptar os cangaceiros nas imediações de Vitória, (atual Marcelino Vieira).
No intuito de acelerar a o deslocamento da força policial, o tenente Napoleão Agra solicitou a aquisição de três caminhões para o transporte dos soldados que iriam ao encontro dos bandoleiros, que, naquele momento, sabia-se que estavam saqueando a fazenda Aroeira, propriedade do coronel José Lopes. Mas na impossibilidade de aquisição dos três veículos no povoado de Vitória, foi solicitado dois caminhões aos senhores Areamiro de Almeida e a Antônio Caetano, residentes na povoação de Alexandria.
Para acelerar a marcha dos combatentes, o tenente Agra ordenou ao cabo João Porfírio da silva que seguisse a pé com parte dos soldados enquanto o mesmo aguardaria a chegada dos outros caminhões em Vitória.
Feito isso, a força policial seguiu a pé em direção à fazenda Aroeira. Os cangaceiros, que a esse tempo já haviam deixado a fazenda de José Lopes, seguiam na mesma estrada em que vinha o destacamento policial, só que em sentido oposto. E aconteceu que nas imediações do sítio Caiçara dos Tomás, os bandidos escutaram o barulho crescente de veículos que se aproximavam, rapidamente desceram de suas montarias e entrincheiraram-se para aguardar quem vinha pela estrada.
O barulho ouvido pelos cangaceiros, era justamente dos caminhões que seguiam pela estrada com o tenente Agra e o restante dos soldados. Exatamente no local conhecido como Baixa da Canafístula, no sítio Caiçara, onde os cangaceiros estavam entrincheirados, o tenente alcançou o restante da força que tinha seguido na frente. Eram mais ou menos, quatro horas da tarde.
Quando os caminhões pararam para que os soldados subissem nos mesmos, uma saraivada de balas despejadas pelos cangaceiros varreu o campo onde se encontravam os militares. Os mesmos desceram dos veículos apressadamente debaixo de forte tiroteio, e procuraram se proteger de qualquer forma, detrás de árvores ou pedras.
O tiroteio durou uns 45 minutos e terminou com a fuga desesperada dos soldados que tinham esgotado suas munições. Findo o combate, os cangaceiros encontraram, ainda vivo, um soldado que tinha sido baleado durante a fuzilaria. O cangaceiro Coqueiro o apunhalou várias vezes, acabando de matá-lo. O soldado morto chamava-se José Monteiro de Matos.
Na fuga apressada, os policiais não tiveram tempo de retirarem do campo de batalha os dois automóveis que seguiam na frente. Lampião, senhor da situação vitoriosa da luta, mandou que ateassem fogo nos veículos, que, depois de queimados, ficaram totalmente destruídos.
Mas não foi só do lado da força policial que houve baixa, pois um cangaceiro de nome Patrício, que respondia no bando pelo apelido de Azulão, também morreu no confronto. O bandido morto foi enterrado na areia de um riacho que passava próximo ao local do combate, e seu corpo foi encontrado no dia seguinte.

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